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Cada membro, um ministro
publicado em 31/08/2006, por Rosana Salviano Salabai
Uma igreja frutífera, onde todos os membros usam seus dons e
talentos a serviço do Reino de Deus. Ela pode sim, existir.



Daniela era dessas com paixão pela obra missionária. Sempre colocava sua capacidade e talentos à disposição da obra de Deus – era muito criativa, organizada e expansiva. Certa vez, num de seus momentos de inspiração, começou a traçar um plano de trabalho para o departamento de jovens da igreja onde atuava. Sonhou com isso por vários dias até que colocou tudo no papel – visão, objetivos, metas, plano de ação e diretrizes – e entregou ao pastor. Mas ele nem sequer leu o que ela tinha escrito. Nunca fez qualquer comentário sobre aquele projeto. Guardou-o numa gaveta e, junto com ele, nossa Daniela. Todo seu talento foi desperdiçado. Ela nunca mais achou que poderia ser útil naquele lugar.

Daniela é um nome fictício, mas a história existe. Aliás, é muito mais comum do que se imagina. Há muitas “Danielas” espalhadas pelas igrejas. São pessoas dotadas de muita capacidade mas que servem apenas para engrossar a lista dos “crentes esquenta-bancos” – aqueles que, por uma ou outra razão (no caso de Daniela, a insensibilidade do pastor), freqüentam todos os cultos mas não participam efetivamente de nenhum ministério da igreja.

“Um dos principais motivos é que muitos pastores não sabem delegar funções”, diz Marcelo Gatti Staub, diretor executivo do ministério Veredas Antigas do Family Foundations International. “Eles já chegam do seminário pensando naquilo que terão que trabalhar, quando na verdade, deveriam se concentrar em passar a visão para que a igreja trabalhe”, explica. Mas ele não exime os membros do problema. “Há pessoas que não conhecem seu destino, sua identidade e valor em Deus, e só fazem algo para agradar alguém”. Além disso, para ele “há aquelas que se sentem limitadas ou não sabem como exercer seus dons”.

Para o fundador do Instituto Jetro e bacharel em Teologia, Rodolfo Garcia Montosa, há também o problema de muitos membros escolherem não se envolver com a igreja. “Às vezes isso acontece porque essas pessoas não têm uma boa experiência no passado com determinado ministério”, esclarece. “Seu envolvimento pode ser afetado, por exemplo, por causa de indefinição da visão, falta de apoio pastoral ou conflitos de interesses com outros ministérios”, diz. Ele ainda lembra que isso pode levar o crente “ao desânimo” e acredita que o melhor é não separar dons de dentro ou de fora da igreja. “As igrejas precisam aprender a aproveitar incentivar a capacidade dos membros, seja ela qual for, e transformá-la em recursos, instrumentos para a obra de Deus”, diz.

Adriano Hourst, por exemplo, é um médico curitibano bem-sucedido profissionalmente que encontrou seu papel na comunidade onde participa, a Nova Vida. Clínico geral, uma vez por semana ela deixa seu consultório e atende gratuitamente homens e mulheres num ambulatório montado dentro da própria igreja. “Quando me converti queria ser ministro de louvor e acabei virando professor da escola dominical a convite do pastor, mas na verdade, não dava nem para um, nem para outro ministério”, conta. “Foi então que descobri que podia alcançar vidas e servir a Deus através daquilo que amo e sei fazer: o atendimento médico. Pronto, me achei”, garante.

Igreja para todos
Uma entre as muitas igrejas brasileiras que descobriram uma forma de inserir seus membros no trabalho efetivo e incentivá-los ao exercício dos dons é a Primeira Igreja Batista de São José dos Campos (SP). O princípio ali é fazer de cada membro um ministro “sensibilizando a igreja para servir a Deus e aos outros, ajudando as pessoas no descobrimento de seus dons e talentos, oferecendo treinamento e oportunidade de servir”. “Em nossa Igreja acreditamos que servir no ministério é usar tudo aquilo que Deus tem nos dado para servir a Ele e aos outros”, explica Eliane Amaral, assistente social e responsável pela área de ministérios da igreja – que aliás, são mais de 90. “Deus nos deu criatividade e imaginação para alçarmos todas as pessoas em todos os lugares, portanto, sempre haverá espaço para um novo ministério”, diz a assistente social.

Para incentivar todos os membros ao trabalho, a igreja ajuda na descoberta do que chama de “perfil”. “O perfil é singular, é uma combinação dos Dons Espirituais com a paixão, habilidades, personalidade e experiências de cada indivíduo”, declara Eliane. Nesse contexto, PERFIL é a sigla de “Personalidade”, “Experiência”, “Recebimento de dons espirituais”, “Forte - Qual é seu forte?”, “Interesses” e “Lugar no Corpo de Cristo”. “Deus moldou todos para o ministério e enfatizamos a necessidade de cada membro conhecer a sua forma para atuar no lugar certo, pelas razões corretas, fazendo o que é certo”, diz.

Sobre a necessidade de envolvimento ministerial dos crentes, tão deficiente em nossos dias, Eliane é enfática. “Quanto mais intimidade com Deus, mais iremos refletir a imagem de Cristo, nosso maior exemplo de Servo”. Sendo assim, ser um exímio adorador ou crente exemplar apenas, não basta. É preciso arregaçar as mangas, descobrir suas habilidades, ocupar seu espaço e... trabalhar!

12 passos para um pastor ou líder envolver sua igreja em ministérios:

1. Identifique os dons nas pessoas;
2. Faça as pessoas perceberem esses dons;
3. Identifique as necessidades ministeriais que se encaixam com esses dons;
4. Orem, pensem e planejem juntos;
5. Ofereça os recursos mínimos necessários para apoio;
6. Tenha certeza que esses dons estão afiados (ofereça treinamento e capacitação);
7. Participe do início como forma de incentivar;
8. Acompanhe os resultados que estão sendo atingidos conversando com o público alvo daquele ministério;
9. Reúna-se periodicamente com os envolvidos para avaliação conjunta;
10. Faça as correções necessárias juntamente com os envolvidos;
11. Comemore os frutos;
12. Volte ao passo 8.

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