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Chamado ao Jejum
publicado em 01/10/2007, por Rosana Salviano Salabai
O jejum, ou qualquer forma de abstinência, é universal, praticado por seitas e religiões do mundo inteiro. Entre os gnósticos, é um instrumento de preparação interior para o recebimento da Luz e alcance da pureza; para os cristãos, é a consagração a Deus; para os hindus, é uma prática anual; para os umbandistas e satanistas é um sacrifício e uma forma de ficar mais sensível aos espíritos. Cada crença tem estabelecido sua doutrina sobre o assunto, mas talvez nenhuma seja tão rígida quanto a Islâmica.

O Ramadan
"Ó crentes! Foi-vos prescrito o jejum da mesma forma como foi ordenado aos vossos antepassados, para que possais temer a Deus... É o Ramadan o mês da revelação do Sagrado Alcorão como guia de toda a humanidade, com provas claras de Orientação e de Critério (entre o bem e o mal). Por conseguinte, quem de vós estiver presente durante este mês, deverá passá-lo em jejum; e, quem estiver doente, ou em viagem, jejuará depois, o mesmo número de dias. Allah deseja para vós facilidade e não dificuldades; para que completeis o período do jejum, e glorifiqueis a Allah, por vos ter encaminhado; e talvez assim (Lhe) ficareis gratos." (Alcorão2:185; 2:183)

O mundo islâmico se encontra hoje no período do Ramadan, um mês de jejum e recitação do Alcorão, seu livro sagrado. Esta é a época de busca espiritual dos muçulmanos, que acreditam que seu profeta, Maomé, recebeu as revelações divinas durante o nono mês do Calendário Islâmico. Além do jejum, o Ramadan é marcado por diversas atividades sociais entre os seguidores do Islamismo, que transformam sua rotina diária em prol da crença. O fervor espiritual do Ramadan excede toda e qualquer comemoração ao longo do ano.

Bem organizados e comprometidos com sua religião, os muçulmanos iniciam os preparativos para o jejum pelo menos dois meses antes. Para eles é preciso se aproximar de Alá (o deus supremo) antes da entrega total, e os adeptos fazem isso em todo o mundo. Num site islâmico de Portugal, por exemplo, são dadas algumas dicas para o preparo, sempre tendo como o objetivo, mais tempo para leitura do Alcorão. Essas dicas incluem evitar olhar para quaisquer imagens ilícitas ou libidinosas, evitar ir ao cinema ou teatro e em substituição ir uma mesquita pelo menos uma vez por dia, reduzir o tempo com a televisão e músicas e em vez disso recitar ou escutar o Alcorão, agradecer e pedir perdão diariamente para Alá e pregar para muçulmanos e não-muçulmanos a mensagem islâmica. "É um tempo onde desenvolvemos a arte da diplomacia para converter novos adeptos e nos aproximarmos de um relacionamento de intimidade com Alá", relata um dos artigos.

Na semana passada, um casal de missionários com trabalho no Oriente Médio escreveu uma carta às igrejas pedindo orações por esse tempo. "É uma época onde sentimos um clima pesado, ouvimos as recitações do Alcorão com mais intensidade e enfrentamos uma terrível batalha espiritual", relata um ex-missionário do mundo árabe, que não pode ter seu nome revelado por questões de segurança.

Durante o Ramadan, os muçulmanos estão invocando seu deus. E os cristãos?

O jejum cristão
Propagado desde antes do nascimento de Jesus, o jejum dos cristãos nem sempre é visto como deveria. Embora não seja possível generalizar, em muitos casos a Igreja de Cristo perde, em compromisso e dedicação, para outras religiões. Algumas igrejas se dividem em dois extremos, entre aqueles que não dão valor nenhum à prática, e aqueles que se excedem nos princípios bíblicos. Falta orientação correta e ensinamento à luz da Bíblia, e as distorções ou a omissão sobre o jejum, têm levado muitos crentes a pecarem.

"Aprendi errado, e desde cedo jejuava como se estivesse em greve de fome; deixava de comer para que Deus atendesse a minha oração", conta a estudante Cristiane Vanhoni, de 24 anos. Por outro lado, outros têm se perdido na tentativa de se achegar a Deus. "Tenho uma amiga do movimento da Nova Era e ela me explicou que jejua para se purificar; esse é um jejum que agrada a Deus, quando a pessoa deixa de comer para limpar seu corpo dos agrotóxicos e enlatados que ingere no dia a dia... o corpo fica mais saudável, a mente mais leve...", relatou um cristão em uma aula de Escola Dominical.

Nem só por heresia, mas por total ignorância, muitos cristãos têm deixado de cumprir com o que não é apenas uma obrigação, mas um privilégio. Enquanto outros religiosos, como os muçulmanos, depositam sua fé em deuses e homens que já morreram, em espíritos que não existem e no já derrotado por Cristo, Satanás, aqueles que crêem em Jesus podem ter a certeza de que estão se entregando, de corpo, alma, mente e espírito para um Deus verdadeiro, o único que pode enviar seu filho ao mundo para morrer por nossos pecados e que têm em suas mãos todo o poder: o da salvação, da ressurreição e da vida eterna.

Por outro lado, muitas são também as igrejas que têm buscado cumprir uma visão de jejum. São muitos os pastores que convocam suas ovelhas para buscarem a Deus jejuando pelo menos uma vez na semana. O jejum, para o cristão, é arma de guerra e ao mesmo tempo, instrumento de benção e santificação.

O melhor jejum
A Bíblia não impõe normas para o jejum, se ele deve ser total, parcial, por um dia ou uma semana. Mas apresenta princípios daquele que seria o jejum agradável aos olhos do Senhor. No livro do profeta Isaías, quando Deus exorta seu povo a respeito do assunto, estabelece aquela que seria a prioridade ao jejuar: "Que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo o jugo...; que repartas o teu pão com o faminto, recolhas em casa os pobres desabrigados e se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante..."(Isaías 58:6 e 7).

Jesus Cristo, que também jejuava e fez isso por várias vezes conforme revelado nas escrituras, também falou o que esperava de um jejum. "Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam; Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim, ao Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."(Mateus 6:16- 18).

Seja para consagração, sacrifício ou louvor, o jejum é sempre uma arma poderosa. É prova de renúncia e busca de uma vida em sintonia com Jesus. Quando há abstinência daquilo que o corpo humano precisa, há mortificação da carne, e o ser humano fica mais suscetível àquilo que vem de Deus, à voz do Senhor. Quando em jejum, o discernimento é maior, justamente, porque não é a carne que está dominando o homem, mas o é o homem que está aprendendo a dominar sua carne e deixando que o Espírito Santo lhe mostre Sua vontade.

Kenneth Hagin escreveu sobre a experiência do jejum: "O jejum não muda a Deus, Ele é o mesmo antes, durante e depois de seu jejum. Mas jejuar mudará você".

Então, experimente.



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