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Halloween, a outra face das brincadeiras
publicado em 30/10/2007, por Rosana Salviano Salabai
A festa do Halloween, apesar de mais propagada nos EUA, já faz a cabeça de milhões de crianças e jovens no mundo todo. Não é à toa que 31 de outubro, feriado americano, já ficou conhecido como o "dia das bruxas". A celebração ganhou caráter comercial; nesta época do ano, livros esotéricos, máscaras, bonecos, jogos, e é claro, fantasias de monstros, bruxas, fantasmas e personagens de filmes de terror, ganham as vitrines. Entre os americanos, a festa se baseia em crianças e adultos fantasiados, que saem às ruas para a brincadeira de "trick or treat", travessuras ou doces. No Brasil, clubes, associações e escolas, especialmente as de inglês, realizam bailes e eventos à fantasia. Apesar da aparência de uma comemoração inocente, o Halloween ainda provoca muita discussão. Até nos EUA, onde o evento é parte do calendário cultural, a briga é acirrada. De um lado, igrejas cristãs que protestam a celebração. Do outro, movimentos gnósticos, comerciantes e até protestantes, favoráveis à sua realização. "O feriado de Halloween tem origem no paganismo e só glorifica a Satanás", "justifica Paul S. Taylor, ao comentar a data numa revista norte-americana. "Em lugar de aceita-lo, o Halloween é uma data excelente para lembrar nossas crianças de que, como cristãos, somos diferentes, não somos deste mundo", completa.

No calendário celta, 31 de outubro é um dos quatro principais dias de descanso anual das bruxas. Para os druidas celtas, seguidores de um culto sacerdotal onde eram adorados deuses semelhantes aos dos gregos e romanos, essa era a noite em que a deusa Samhaim voltava com os espíritos mortos para a terra. Os espíritos precisavam ser guiados até suas casas e agradados; assim, eles não atormentariam os vivos roubando, destruindo colheitas, matando e causando terror. No ano de 835, quando os povos pagãos comemoravam suas conquistas pela Europa, o papa Gregório III, numa tentativa de apaziguar a situação, permitiu a combinação do festival de Samhain com o dia de todos os santos, até então, comemorado no mês de maio. A partir daí, 1 de novembro passou a ser o Dia de todos os santos, em inglês, "All Hallows". Logo, a noite anterior, 31 de outubro, foi chamada de "All Hallows Eve", e com o tempo, o termo foi encurtado para "Halloween". No final do século passado, virou costume na França, Inglaterra e Irlanda se comemorar, num dia, o Senhor dos mortos, e no outro, os santos mortos. Nessa época, a ocasião já era vista como a perfeita para se praticar atos maus e diabólicos não tolerados em outra época do ano, e a prática foi introduzida nos EUA pelos imigrantes. Até hoje, o Halloween usa a simbologia dos druidas: espíritos maus, bruxas (crença celta), máscaras e fantasias (para espantar os espíritos ou se fazer de um deles), fogueiras (como aquelas que guiavam os espíritos), e a brincadeira trick or treat, uma espécie de troca com espíritos demoníacos.

Dia Mau ?!?
Para os místicos, 31 de outubro é mesmo o dia das Bruxas. Um site brasileiro relacionou acontecimentos "macabros", fatalidades que teriam ocorrido em virtude das alusões a maus espíritos e demônios na data:

31/10 de 1924: A primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, foi assassinada no jardim de sua casa, em Nova Deli, por dois de seus guarda-costas que pertenciam à seita Sikh.

31/10 de 1926: Morte de Houdini, mágico húngaro radicado nos Estados Unidos. Ficou famoso pelas fugas que fazia em minutos, atado e acorrentado, preso dentro de caixas metálicas ou vidros lacrados.

31/10 de 1993: Morte do cineasta italiano Frederico Fellini, um dos pais do neo-realismo.

31/10 de 1993: Morte do River Phoenix. O ator norte-americano, de 22 anos, morreu de overdose ao sair da boate Viper, em Los Angeles.

31/10 de 1996: O avião Fokker da TAM que decolou do aeroporto de Congonhas (São Paulo) caiu logo após a decolagem sobre um conjunto de casas no bairro de Jabaquara, explodindo. Morreram todas as 99 pessoas.

Para os cristãos
"Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Romanos 6:12). Este é fundamento de muitos cristãos para a reprovação da festa de Halloween. Para Glória Phillips, autora do artigo Halloween na perspectiva cristã, qualquer prática relacionada ao ocultismo ou mundo dos mortos, não pode fazer parte da vida do cristão. "Através dos anos, o Halloween ganhou várias formas e nomes, mas todos tributam a Satanás; não pode haver lugar na vida do cristão ou da Igreja para tal participação das trevas", escreve. A mesma autora diz que alguns podem dizer que não praticam, apenas brincam de Halloween, mas só essa participação já os coloca em território perigoso. "Tudo o que vem de Satanás não pode ser tratado como mera brincadeira", ressalta. Em seu estudo Halloween, Dia das bruxas, Doneivan F. Ferreira deixa claro a importância de se saber a origem da festa, para questioná-la. Mas faz um alerta: "Os crentes não devem temer ao Halloween. Dia 31 de outubro continua sendo um dia que o Senhor criou".
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